domingo, 2 de julho de 2017

JESUS DEUS


    Por conta de nossas limitações, a Revelação de Jesus como Deus, mesmo sob o impacto de Suas desconcertantes declarações e milagres, não se dá de modo imediato nem ostensivo. Pelo contrário, e como é bem ao modo de Deus, essa percepção, hoje como àquela época, precisa amadurecer em nossas consciências.
    No entanto, além de Sua real presença em nosso dia-a-dia, as evidências de Sua divindade estão em várias passagens do Novo Testamento, que confirmam e até excedem o cumprimento das profecias do Antigo Testamento a Seu respeito. Ele mesmo vai dizer com todas as letras aos principais dos judeus, numa de suas primeiras viagens a Jerusalém durante Sua vida pública: "Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,39
    Para que se alcance tal , porém, São Paulo adverte que é impreterível o auxílio do Espírito de Deus: "... ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo." 1 Cor 12,3
    Ou, segundo o próprio Jesus, o auxílio de Deus Pai: "Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o atrair." Jo 6,44a
    E ainda que inicialmente alheios à noção da Santíssima Trindade, assim já procediam os Doze, como que por intuição, perante Jesus nas situações que requeriam maior desdobramento espiritual: "Os Apóstolos disseram ao Senhor: 'Aumenta-nos a fé!'" Lc 17,5
    Ora, São Lucas, que escreveu seu Evangelho mais de trinta anos após a Paixão do Senhor, já havia formado plena consciência de Sua Divindade, como atestou desde as palavras do sacerdote Zacarias, pai de São João Batista, que descreveu seu filho como o arauto do Messias: "E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o caminho, para dar ao Seu povo conhecer a Salvação, pelo perdão dos pecados." Lc 1,16-17
    E antecipando-se a São Lucas em mais de dez anos, São Mateus registrou essa percepção quando narrou a adoração dos Santos Reis a Jesus, pois tal gesto só é cabível diante de Deus: "Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o Menino e ali parou. Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, Sua mãe. Prostrando-se diante d'Ele, adoraram-nO. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-Lhe como presentes: ouro, incenso e mirra." Mt 2,1.9.11
    De fato, desde o início de Sua vida pública o povo já sentia, ao redor de Jesus e por Seus milagres, a inequívoca presença de Deus: "E aproximando-Se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: 'Moço, Eu te ordeno, levanta-te.' Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: 'Um grande Profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o Seu povo.'" Lc 7,14-16
    E com tantos e tão portentosos milagres, não demorou para que os próprios Apóstolos começassem a questionar-se sobre Sua Pessoa: "Eles ficaram penetrados de grande temor e cochichavam entre si: 'Quem é Este, a Quem até o vento e o mar obedecem?'" Mc 4,41
    Jesus mesmo já havia anunciado aos primeiros 5 Apóstolos que através d'Ele se realizaria o sonho de Jacó, no qual o Céu estaria em pleno contato com a terra. Foi logo após Seu Batismo por São João Batista: "Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.'" Jo 1,51
    Esse foi um título usado por Deus ao dirigir-se aos Profetas Daniel e Ezequiel, mas a visão que teve Daniel distingue exclusivamente o próprio o Cristo apresentando-Se a Deus: "Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno; nunca cessará e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14
    E São João Batista já O havia identificado perante seus discípulos, entre os quais estavam aqueles que viriam a ser os Apóstolos São João Evangelista e Santo André: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.'" Jo 1,29
    Assim Santo André anunciou a São Pedro: "André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido. Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: 'Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo).'" Jo 1,40-41
    E da mesma forma São Filipe anunciou a São Bartolomeu: "Filipe encontra Natanael e diz-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus de Nazaré, filho de José." Jo 1,45
    Mas Jesus era demasiadamente humano, e teve que usar de muita didática, em gradual revelação, para dar os sinais de Sua natureza divina. É o que se vê quando Ele curou um possesso, mas disse que Deus havia realizado tal milagre: "Nesse momento, pedia-Lhe o homem, de quem tinham saído os demônios, para ficar com Ele. Mas Jesus despediu-o, dizendo: 'Volta para casa, e conta quanto Deus te fez.'" Lc 8,38-39
    Aos poucos, porém, cada vez mais Ele fazia-Se perceber. Por exemplo, Ele proclamava-Se o 'Filho do Homem', como vimos, um título enigmático que talvez queira apenas afirmar Sua natureza também totalmente humana. Mas o título de Senhor é um dos títulos de Deus, e Ele vai dizer: "Porque o Filho do Homem é Senhor também do sábado." Mt 12,8
    E só Deus, que é absoluto, poderia apresentar-Se como Aquele ao Qual deve convergir de toda humanidade: "Quem não está Comigo está contra Mim..." Mt 12,30a
    Aliás, ao dizer 'sem Mim', Ele disse-Se absoluto de modo ainda mais explícito na parábola da videira e os ramos: "Eu Sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5
    Na noite da Santa Ceia, ademais, Ele vai pedir não um culto ao Pai, mas a Si mesmo: "... fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19
    Afirmativamente, Jesus não evocou a Pessoa do Pai quando prometeu libertar o ser humano do pecado. Ele simplesmente assumiu essa tarefa: "Respondeu Jesus: 'Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.'" Jo 8,34.36
    E assim, progressivamente Ele colocava-Se no papel de absoluto protagonista, como quando declarou que Ele mesmo ressuscitaria Seu povo: "Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a Vida Eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia." Jo 6,54
    Ele deixou claro aos Apóstolos que, por vê-Lo e ouvi-Lo, estavam vivendo um momento único na história da humanidade: "Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! Eu vos declaro, em verdade: muitos Profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram." Mt 13,16-17
    E pouco antes de multiplicar os pães e peixes, a certeza das multidões quanto à eficácia de Seus poderes já era total: "Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão O seguia, porque via os sinais que Ele operava a favor dos doentes." Jo 6,1-2
    Até apresentar-Se, por fim, como o exclusivo Doador do Pão do Céu, do alimento da Vida Eterna: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará." Jo 6,27a
    Por esses tempos, aliás, Suas pregações já provocavam sérios questionamentos, mesmo entre os chefes do povo: "Os judeus admiravam-se e diziam: 'Este Homem não fez estudos. Donde Lhe vem, pois, este conhecimento das Escrituras?'" Jo 7,15
    Aos realmente sinceros, Jesus chegou a propôr: "Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a Minha Doutrina é de Deus ou se falo de Mim mesmo." Jo 7,17
    Mas Ele já havia afirmado que Sua Pessoa é indissociável da de Deus: "Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai, que O enviou." Jo 5,23b
    E vai sentenciar que rejeitá-Lo é rejeitar ao Pai: "Aquele que Me odeia, odeia também a Meu Pai." Jo 15,23
    O povo de Israel, no entanto, diante de Suas obras, já não sabia nem mesmo o que d'Ele pensar: "Muitos do povo, porém, creram n'Ele e perguntavam: 'Quando vier o Cristo, fará mais milagres do que Este faz?'" Jo 7,31
    Até já usava um recorrente título bíblico do Messias ao se questionar, quando presenciaram a imediata e total cura de um endemoniado cego e mudo. "A multidão, admirada, dizia: 'Não será este o Filho de Davi?'" Mt 12,23
    E quando Ele prometeu Água Viva em Jerusalém, algumas pessoas começaram a afirmar o cumprimento da profecia de Moisés: "Ouvindo essas palavras, alguns daquela multidão diziam: 'Este é realmente o Profeta.'" Jo 7,40
    Outras pessoas posicionavam-se de modo ainda mais preciso: "Outros diziam: 'Este é o Cristo.'" Jo 7,41a
    Este título, aliás, Ele já havia confirmado expressamente, ainda que em particular, quando falou sobre a Água Viva com uma samaritana, no poço de Jacó: "Respondeu a mulher: 'Sei que deve vir o Messias, que se chama Cristo; pois, quando vier, Ele nos fará conhecer todas as coisas.' Disse-lhe Jesus: 'Sou Eu, que falo contigo.'" Jo 4,25-26
    Os samaritanos desta localidade, Sicar, segundo São João Evangelista foram a primeira coletividade a reconhecê-Lo como o Salvador: "E diziam à mulher: 'Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser Este verdadeiramente o Salvador do mundo.'" Jo 4,42
    E ao cego de nascença de Jerusalém que curou, Ele também Se identificou como o Messias, mas com o título que mais usava: "Encontrando-o, perguntou-lhe: 'Acreditas no Filho do Homem?' Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu creia n'Ele?' Jesus disse: 'Tu O estás vendo; é Aquele que está falando contigo.' Exclamou ele: 'Eu creio, Senhor!' E prostrou-se diante de Jesus." Jo 9,35b-38
    Até mesmo Seus inimigos, como os guardas enviados pelo sumo sacerdote para prendê-Lo, que voltaram sem Ele, percebiam algo diferente em Sua Pessoa: "Voltaram os guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: 'Por que não O trouxestes?' Os guardas responderam: 'Ninguém jamais falou como este Homem!...'" Jo 7,45-46
    E a certa altura, aos que persistiam na incredulidade mesmo diante de tantos milagres, Ele começou a denunciar: "Jesus replicou: 'Se Deus fosse vosso pai, vós Me amaríeis, porque Eu saí de Deus. É d'Ele que Eu provenho, porque não vim de Mim mesmo, mas foi Ele quem Me enviou. Por que não compreendeis a Minha linguagem? É porque não podeis ouvir a Minha Palavra. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na Verdade, porque a Verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas Eu, porque vos digo a Verdade, não Me credes." Jo 8,42-45
    Pois aludindo à Sua divindade, Ele desafiava-os: "Quem de vós Me acusa de pecado?" Jo 8,46a
    E em discussão com os judeus a respeito de Abraão, Jesus avisou que Sua volta definitiva seria o esplendor de toda Criação: "... Meu Pai é Quem Me glorifica, Aquele que vós dizeis ser o Vosso Deus e, contudo, não O conheceis. Eu, porém, conheço-O, e se dissesse que não O conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-O e guardo a Sua Palavra. Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o Meu Dia. Viu-o e ficou cheio de alegria." Jo 8,54b-56
    Tudo isso desconcertava ainda mais os religiosos, e Ele tornava a indicar a razão da descrença: "Os judeus rodearam-nO e perguntaram-Lhe: 'Até quando nos deixarás na incerteza? Se Tu és o Cristo, dize-nos claramente.' Jesus respondeu-lhes: Eu vo-lo digo, mas não credes. As obras que faço em Nome de Meu Pai, estas dão testemunho de Mim. Entretanto, não credes, porque não sois das Minhas ovelhas.'" Jo 10,24-26
    Sua Paixão, portanto, que anunciava abertamente, não seria uma derrota ou obra do acaso, pois Ele tem poder sobre a Vida: "... dou a Minha vida para a retomar. Ninguém a tira de Mim, mas Eu a dou de Mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir." Jo 10,18
    E tem poder para realizar por Si mesmo qualquer dos pedidos feitos pela Igreja: "Qualquer coisa que Me pedirdes em Meu Nome, vo-lo farei." Jo 14,14
    Ora, quando São João escreveu seu Evangelho, o último dos quatro, já sabia muito bem que a Palavra de Deus, ou seja, Jesus, o Verbo Encarnado, era o próprio Deus: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus." Jo 1,1
    De sua aprofundada teologia, portanto, ele relatou São João Batista anunciando a plenitude de Deus na Pessoa de Jesus: "João dá testemunho d'Ele, e exclama: 'Eis Aquele de Quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim. Todos nós recebemos da Sua plenitude Graça sobre Graça.'" Jo 1,15-16
    Sem vacilar, em João o Batista indicava expressamente Sua origem: "Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem do Céu é superior a todos." Jo 3,31a.c
    Em seu Evangelho, de fato, mais tarde o próprio Jesus vai dizer: "Pois desci do Céu não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 6,38
    E vai afirmar peremptoriamente: "Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo." Jo 8,23
    Ora, era através da Pessoa de Jesus que São João Batista garantia a veracidade de Deus: "Aquele que recebe o Seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro." Jo 3,33
    Falando de Seu absoluto poder, o Batista disse d'Ele: "O Pai ama o Filho e entregou tudo em Suas mãos." Jo 3,35
    A Revelação do Cristo, porém, nunca foi um ponto pacífico em Sua vida pública. Quando interrogado pelos chefes do povo se era realmente o Salvador, sabendo que seus corações não Lhe estavam abertos, Jesus vai mais além e dá uma resposta teológica, na qual faz alusão à Comunhão da Santíssima Trindade: "Eu e o Pai somos um." Jo 10,30
    Contudo, tentando deles angariar alguma simpatia pela Boa Nova, Ele vai apelar ao poder de Seus milagres: "... se não quiserdes crer em Mim, crede nas Minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em Mim e Eu no Pai." Jo 10,38
    Sem dúvida, entre si, os principais dos judeus mesmo reconheciam: "Esse Homem realiza muitos sinais." Jo 11,47b
    Pois Ele explicitava mesmo Sua condição meramente humana, e explicava assim Suas obras: "Jesus tomou a palavra e disse-lhes: 'Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de Si mesmo não pode fazer coisa alguma; Ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho. Pois o Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo o que faz; e maiores obras do que esta Lhe mostrará, para que fiqueis admirados.'" Jo 5,19
    E como pregava o 'negar-se a si mesmo', mais uma vez Ele vai renegar qualquer personalismo: "Eu não posso fazer nada por Mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto e o Meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a Minha vontade, e sim a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 5,30
    Condescendentemente, Ele até admitia Sua manifestação humana como um sinal de contradição, como foi profetizado, mas avisou que, sem o devido arrependimento, não haveria perdão para as blasfêmias contra o Espírito Santo: "Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro." Mt 12,32
    O próprio Apóstolo São Filipe, no entanto, ainda tinha dificuldade em compreendê-Lo: "Disse-Lhe Filipe: 'Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.' Respondeu Jesus: 'Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe! Aquele que Me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai...'" Jo 14,8-9
    De fato, Jesus havia afirmado que conhecer a Ele era o mesmo que conhecer e ver Deus: "Se Me conhecêsseis, também certamente conheceríeis Meu Pai; desde agora já O conheceis, pois O tendes visto." Jo 14,7
    Ele já havia dito isso aos judeus: "Perguntaram-Lhe: 'Onde está Teu Pai?' Respondeu Jesus: 'Não conheceis nem a Mim nem a Meu Pai; se Me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a Meu Pai.'" Jo 8,19
    E como pedia por Suas Palavras e obras, Ele vai pedir também a São Filipe: "Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em Mim? As Palavras que vos digo não as digo de Mim mesmo; mas o Pai, que permanece em Mim, é que realiza as Suas próprias obras. Crede-Me: Eu estou no Pai, e o Pai em Mim." Jo 14,10-11
    No mesmo sentido, na oração que fez a Deus Pai pela perfeita união entre os Apóstolos e fiéis, Jesus evoca Sua unidade com o Pai como modelo para a Igreja, à qual concedeu Sua Glória: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    E também nessa oração, Ele havia-Se pronunciado diante dos Apóstolos sobre Sua natureza incriada: "Agora, pois, Pai, glorifica-Me junto de ti, concedendo-Me a Glória que tive junto de Ti, antes que o mundo fosse criado." Jo 17,5
    São João Evangelista, por fim, ao encerrar seu Evangelho garante que Jesus é o esperado Messias, e que é por Seu Nome que se obtém a Vida Eterna: "Fez Jesus, na presença dos Seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31


EU SOU

    Quando foi enviado por Deus ao povo de Israel, durante a escravidão no Egito, Moisés perguntou-Lhe o que responderia se questionassem Quem o havia enviado: "Deus respondeu a Moisés: 'EU SOU AQUELE QUE SOU.' E ajuntou: 'Eis como responderás aos israelitas: (Aquele que Se chama) EU SOU envia-me a vós.'" Ex 3,14
    Também Jesus, ao indicar o momento em que estaria explícita Sua Glória, ou seja, na Cruz, evocou essa identidade: "Jesus então lhes disse: 'Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis que EU SOU...'" Jo 8,28
    Pois ainda que pareça paradoxal, foi na crucificação que Jesus alcançou a Glória, pois morria vitorioso, por amor e contra o pecado. Ele repetiu esse aviso pouco antes: "É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado." Jo 12,23
    Com efeito, consternado, um pagão, o centurião que comandava Sua crucificação foi o primeiro a reconhecê-Lo, ao constatar Sua morte na Cruz: "Verdadeiramente, Este Homem era o Filho de Deus." Mc 15,39
    Mas essa não foi a única vez em que Jesus usou desse título. Na verdade, Sua manifestação ao mundo é o próprio Julgamento: "Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que EU SOU, morrereis no vosso pecado." Jo 8,24
    Ele repetiu essa asserção quando os judeus questionaram Sua idade. De fato, só Deus realmente é, plena e perenemente: "Respondeu-lhes Jesus: 'Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, EU SOU.'" Jo 8,58
    Disse também aos Apóstolos, logo após instituir o ritual do lava-pés: "Vós Me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque EU SOU." Jo 13,13
    E indiretamente, durante Suas pregações, fez o mesmo em várias ocasiões, como bem anotou São João Evangelista:
    "EU SOU o Pão da Vida" Jo 6,35
    "EU SOU a Luz do mundo." Jo 8,12
    "EU SOU a Porta." Jo 10,9
    "EU SOU o Bom Pastor." Jo 10,11
    "EU SOU a Ressurreição e a Vida." Jo 11,25
    "EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida." Jo 14,6
    "EU SOU a Verdadeira Videira." Jo 15,1
    Ora, para que fosse explicitamente reconhecido por São Pedro, Jesus teve que indagar os próprios Apóstolos quanto à Sua verdadeira identidade: "Disse-lhes Jesus: 'E vós? Quem dizeis que EU SOU?'" Mt 16,15
    E só mais tarde, após duvidar de Sua Ressurreição, São Tomé O proclamará propriamente como Senhor e Deus: "Respondeu-Lhe Tomé: 'Meu Senhor e Meu Deus!'" Jo 20,28
    Desde então, em Suas aparições enquanto ressuscitado, os Apóstolos passaram a ser ainda mais comedidos no trato com Ele: "Nenhum dos discípulos ousou perguntar-Lhe: 'Quem és Tu?', pois bem sabiam que era o Senhor." Jo 21,12
    Assim o fizeram, portanto, até o momento em que Jesus finalmente ascendeu aos Céus diante deles, quando eles O adoraram, pois bem sabemos que adorar só a Deus: "'Eu vos mandarei o Prometido de Meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.' Depois levou-os para Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi arrebatado ao Céu. Depois de O terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo." Lc 24,49-52



    Já São Paulo, como vimos, anunciava com absoluta clareza a divindade de Jesus, embora sempre lembrando Sua natureza igualmente humana: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens." Fl 2,5-7
    Trata-O como Criador e em distinção às criaturas, sobre as quais tem plenos poderes: "... poder que tem de sujeitar a Si toda criatura." Fl 3,21b
    Atribui a Ele, como disse o próprio Jesus, o poder da ressurreição: "Nós, porém, somos cidadãos dos Céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao Seu Corpo glorioso..." Fl 3,20-21a
    Ele chega a 'confundir' Deus Pai com Jesus: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue." At 20,28
    De novo aqui: "A respeito da caridade fraterna, não temos necessidade de vos escrever, porquanto vós mesmos aprendestes de Deus a vos amar uns aos outros." 1 Ts 4,9
    E aponta-O como o Visível do Invisível, morada da plenitude de Deus: "Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a Criação. Porque aprouve a Deus fazer habitar n'Ele toda a plenitude e por Seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas..." Cl 1,15-16
    Ora, para ele a Pessoa de Jesus é o próprio Corpo de Deus: "Pois n'Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." Cl 2,9
    No mesmo sentido, os seguidores da tradição de São Paulo também vão reafirmar Jesus como imagem de Deus: "Ultimamente falou-nos por Seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo Qual criou todas as coisas. Esplendor da Glória de Deus e imagem do Seu ser, sustenta o universo com o poder da Sua Palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos Céus... " Hb 1,2-3
    E até mais: vão dar-Lhe Glória, o que também só é devido a Deus: "E o Deus da Paz que, no Sangue da Eterna Aliança, ressuscitou dos mortos o Grande Pastor das ovelhas, Nosso Senhor Jesus, queira dispor-vos ao bem e conceder-vos que cumprais a Sua vontade, realizando Ele próprio em vós o que é agradável aos Seus olhos, por Jesus Cristo, a Quem seja dada a Glória por toda a eternidade. Amém." Hb 13,20-21
    O Apóstolo dos Gentios afirma ainda, e categoricamente, que em Jesus se encerra toda Sabedoria e ciência divina: "... para conhecerem o mistério de Deus, isto é, Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da Sabedoria e da Ciência." Cl 2,2b-3
    E que Jesus é o próprio amor de Deus: "Sim, é tão sublime - unanimemente O proclamamos - o mistério da bondade divina: manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado aos povos, acreditado no mundo, exaltado na Glória!" 1 Tm 3,16
    Pois, como o próprio Deus, a grandeza de Cristo é infinita: "A mim, o mais insignificante dentre todos os santos, coube-me a Graça de anunciar entre os pagãos a inexplorável riqueza de Cristo, e a todos manifestar o desígnio salvador de Deus, mistério oculto desde a eternidade em Deus, que tudo criou." Ef 3,8-9
    De fato, já nos primeiríssimos anos da Igreja, tão amadurecido era o conceito da divindade de Jesus, que, ao ser apedrejado, Santo Estevão rendeu seu espírito a Ele, e não ao Pai: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito." At 7,59
    E tão similares eram os tratamentos dados ao Pai e ao Filho, que o título de Salvador, mais usado pelos cristãos para Jesus, é novamente atribuído a Deus por São Paulo, quando escreveu a São Timóteo: "Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos a nossa esperança em Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, sobretudo dos fiéis." 1 Tm 4,9
    Por isso ele pedia: "E toda língua confesse, para a Glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor." Fl 2,11
    São João Evangelista, aliás, quase O iguala ao Pai. Da expressão 'Filho de Deus' para 'Deus Filho' não vai demorar: "Estejam convosco, na Verdade e no amor: Graça, Misericórdia e Paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Filho do Pai." 2 Jo 1,3
    Com efeito, a necessidade de chamar Deus de 'Deus Pai' já era um indício do entendimento de Quem realmente era Jesus, e a preparação para o uso do termo 'Deus Filho'. São Paulo o fez desde sua mais antiga carta: "Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo. A vós, Graça e Paz!" 1 Ts 1,1
    Esse proceder foi usado também por São Pedro: "... eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e receber a sua parte da aspersão do Seu Sangue. A Graça e a Paz vos sejam dadas em abundância!" 1 Pd 1,2
    E ainda por São Judas Tadeu: "Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos eleitos bem-amados em Deus Pai e reservados para Jesus Cristo." Jd 1,1
    São Paulo, por fim, reza para que todos admitam expressamente que Jesus é o Senhor: "Por isso Deus exaltou-O soberanamente e outorgou-Lhe o Nome que está acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no Céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a Glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor." Fl 2,9-11
    E termina por afirmar: "Veio para ensinar-nos a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de Nosso Grande Deus e Salvador, Jesus Cristo..." Tt 2,12-13
    Aliás, repetiu também aqui: "Eles são os israelitas; a eles foram dadas a adoção, a Glória, as alianças, a Lei, o culto, as promessas e os patriarcas; deles descende Cristo, segundo a carne, o Qual é, sobre todas as coisas, Deus bendito para sempre. Amém." Rm 9,4-5
    São João Evangelista, com suas convicções bem amadurecidas, também faz uma afirmação quase expressa de que Jesus é Deus: "Sabemos que o Filho de Deus veio e deu-nos entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em Seu Filho Jesus Cristo. Este é o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna." 1 Jo 5,20
    No seu Evangelho, tanto pelo que Ele disse à multidão na Festa das Tendas como à samaritana, ele registrou que Jesus é Quem dá a 'Água Viva'. E teria dito assim no episódio da Samaria: "Respondeu-lhe Jesus: 'Se conhecesses o dom de Deus, e Quem é que te diz: 'Dá-Me de beber', certamente Lhe pedirias tu mesma e Ele te daria uma Água Viva.'" Jo 4,10
    E no livro do Apocalipse, o mesmo São João Evangelista diz que Deus é Quem dá a ‘Água Viva’: "Novamente me disse: 'Está pronto! Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede Eu darei gratuitamente de beber da fonte da Água Viva.'" Ap 21,6
    De uma visão que teve, este evangelista deixou essa esplendorosa descrição de Jesus, na qual Ele demonstra total controle sobre a Igreja: "Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no Reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. No Dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta. Então voltei-me para ver quem estava falando; e ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um Filho de homem, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. Tinha Ele cabeça e cabelos brancos como lã cor de neve. Seus olhos eram como chamas de fogo. Seus pés pareciam-se ao bronze fino incandescido na fornalha. Sua voz era como o ruído de muitas águas. Segurava na mão direita sete estrelas. De Sua boca saía uma espada afiada, de dois gumes. Seu rosto assemelhava-se ao sol, quando brilha com toda a força. Ao vê-lo, caí como morto a Seus pés, mas Ele colocou sobre mim Sua mão direita e disse: 'Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. Escreve, pois, o que viste, tanto as coisas atuais como as futuras. Eis o simbolismo das sete estrelas que viste na Minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros, as sete igrejas.'" Ap 1,13-20
    E conforme sua última visão, assim será a aparência de Jesus no Último Dia: "Vi ainda o Céu aberto: eis que aparece um cavalo branco. Seu Cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e é com justiça que Ele julga e guerreia. Tem olhos flamejantes. Há em Sua cabeça muitos diademas e traz escrito um Nome que ninguém conhece, senão Ele. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o Seu Nome é Verbo de Deus. Seguiam-nO em cavalos brancos os exércitos celestes, vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada. De Sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações pagãs, porque Ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador. Ele traz escrito no manto e na coxa: 'Rei dos reis e Senhor dos senhores!'" Ap 19,11-16

    "Esperamos, ó Cristo, Vossa Vinda gloriosa!"