quinta-feira, 10 de novembro de 2016

São Leão Magno


    Junto a São Gregório e São Nicolau, São Leão é um dos poucos papas canonizados que têm o título de Magno. Mas em contraste com essa honraria, e justamente a razão dela, era um homem que falava ao coração do povo mais humilde em suas pregações, por isso era muito amado. Deixou cerca de 100 sermões dotados de eloquência, profunda inspiração e grande saber doutrinário, além de 144 cartas repletas de ensinamentos e preciosos registros da História da Igreja, escritas em latim de rara correção.
    Sua 'Carta dogmática a Flaviano', à época o Patriarca da igreja de Constantinopla, é tida como um dos documentos mais importantes da Igreja e um dos sustentáculos da fé cristã. Nela defendeu os fundamentos mais puros do Catolicismo, e rapidamente conseguiu a adesão da imensa maioria dos sacerdotes, de seu tempo e de depois, que debatiam questões doutrinárias. Exaltando sua iluminação e sua autoridade, cunharam uma frase que se tornou famosa: 'Pedro falou pela boca de Leão'.
    O Papa Bento XIV proclamou-o Doutor da Igreja em 1754, e foi o primeiro Santo a receber o cognome de Magno.
    Teria nascido por volta de 400, na Toscana, mas pouco se sabe de sua vida antes do papado. Há registro de que em 430 já era Arcediácono, e trocava correspondência com gente muito importante como o Papa Celestino I e São Cirilo, que foi Padre Grego e Patriarca de Alexandria, cidade mais importante do Império depois de Roma. Daí se presume que ele tenha-se ordenado muito cedo, completando seus estudos de forma brilhante.
    Tornou-se secretário e conselheiro dos Papas Celestino I e Sisto III, e por este foi enviado a França como embaixador da Igreja para evitar uma iminente gerra civil, motivada por desavenças entre dois generais.
    Quando morreu Sisto III, em 440, São Leão Magno foi unanimemente aclamado papa, pelo povo e pelo clero. Eram tempos difíceis, e esse fato é mais um sinal de suas raras qualidades. A Igreja via nele a pessoa mais preparada para enfrentar as várias tribulações pelas quais passava.
    Quando o Império Romano estava em pleno declínio, o Ocidente já não tinha mais força militar e o imperador escondia-se de bárbaros e vândalos que pilhavam a Itália, era São Leão Magno que ia destemidamente ao encontro dos inimigos e conseguia abrandar-lhes a fúria, firmando acordo de paz.
    Foi assim com o temível Átila, o rei dos hunos, que em 451 estava devastando o norte da Itália, mas não se dirigiu a Roma graças à Sabedoria e à firmeza do Santo Papa, que foi ao seu encontro e o convenceu de que a matança e a pilhagem não lhe trariam nenhuma glória. Esse conversa falou alto ao lado nobre do guerreiro huno, que sentiu em São Leão a presença de Deus e passou a ver a Europa com outros olhos.


    Foi assim também com os vândalos, em 455, que haviam tomado Roma de assalto. Embora tenham saqueado a cidade, eles não a incendiaram nem cometeram chacinas, tendo inclusive parado de torturar pessoas, como tinham por costume. Mais uma vez a coragem e a cordialidade do representante máximo de Cristo pouparam milhares de vidas e evitaram maiores sofrimentos. São Leão Magno foi ao encontro de Genserico, o comandante deles, em seu acampamento, e conseguiu dele essas garantias.
    Dentro da Igreja, as coisas também não iam muito bem. Temas centrais da Doutrina Cristã estavam sendo contestados. As divergências eram graves e frequentes, causando sérias divisões e até heresias. Nosso Papa tomou ativamente parte das discussões, convocando sínodos e concílios. Usava de sua brilhante inteligência, de seu vasto conhecimento e, acima de tudo, da inspiração do Espírito Santo para dirimir controvérsias e reanimar a Igreja. Tratou de corrigir os métodos de atuação do clero, conferindo uniformidade às atividades pastorais, e pôs fim a abusos de autoridade da parte de alguns bispos e sacerdotes.


    Em 446, ele vai declarar numa carta: "... o cuidado da Igreja universal deve convergir para a cadeira de Pedro, e nada (…) deve ser separado de Sua Cabeça." Ele citava a figura invocada por São Paulo, que retrata Cristo como a Cabeça da Igreja: "Ele é a Cabeça do Corpo, da Igreja." Cl 1,18
    Em 451, no Concílio da Calcedônia, por sua influência essa questão vai ser debatida e ratificada pela maioria dos participantes. Deixou também sua marca na defesa que fez das duas naturezas distintas de Jesus, a humana e a divina. Tamanha Sabedoria valeu-lhe o título de Padre Latino.
    Dirigindo-se aos fiéis num sermão em que evoca palavras de São Pedro (2 Pd 1,4), ele exorta: "Cristão, reconhece a tua dignidade. Por participares agora da natureza divina, não te degeneres retornando à decadência de tua vida passada. Lembra-te da Cabeça a que pertences e do Corpo de que és membro. Lembra-te de que foste arrancado do poder das trevas e transferido para a Luz e o para Reino de Deus."
    Sabemos que morreu em 461, causando uma forte comoção no mundo católico de então, e mesmo fora dele. Foi honrosamente sepultado na Basílica de São Pedro, onde possui uma capela própria.


    São Leão Magno, rogai por nós!