terça-feira, 11 de julho de 2017

São Bento


   Também chamado de São Bento Abade, ou São Bento de Núrsia, lugar onde nasceu, foi um monge italiano que viveu o recolhimento como opção às incapacidades morais que vicejavam entre as pessoas de seu tempo. Roma, aonde foi enviado pelo pai com sua irmã gêmea, Santa Escolástica, para estudar Retórica e Filosofia, teria-lhe causado uma profunda aversão. Acabados os estudos, foi-se de lá e desde então não quis mais viver em centros urbanos.


    Ajudado por um monge, chamado Romano, viveu numa caverna no monte Subiaco, nas proximidades da cidade de Affile. Passava seus dias entre orações e leituras espirituais.
    Por certo foi influenciado pela história de Santo Antão, que vendeu a propriedade do pai após sua morte, pagou um internato para a irmã, distribuiu o restante do dinheiro com os pobres e foi morar nos desertos do Egito pelo resto da vida. Quando este Santo era encontrado por religiosos que queriam levar vida igual à sua, mudava de lugar. Antes, porém, ele preparava-os, ensinando seus métodos como atestou Santo Atanásio, que com ele aprendeu, e então partia para um lugar ainda mais distante, para viver plenamente o eremitério.


    Nos arredores dessa caverna, a fama da santidade de São Bento logo se espalhou e ele começou a ser procurado por pessoas que queriam rezar, aconselhar-se ou simplesmente estar com ele.
    Foi procurado também por religiosos que lhe queriam como mestre. Elegeram-no abade do mosteiro de Vicovaro, no norte da Itália, mas após algum tempo uns monges acharam-no rigoroso demais, e, para dele verem-se livre, tentaram envenená-lo. Uma vez com um cálice de vinho, outra vez com pão. Esse símbolos sagrados, entretanto, não lhe poderiam fazer mal: do cálice saiu uma serpente e o pão foi levado por um corvo. Uma de suas imagens retrata exatamente essa história.
    Estes fatos fizeram com que ele regressasse à vida na caverna do monte Subiaco. As visitas de muitos religiosos, porém, não o deixavam viver a solidão e a contemplação que desejava. Seguindo uma ideia que bem lembrava Jesus, fundou doze mosteiros, com apenas doze monges em cada um.
    Mas, perseguido por um sacerdote que se incomodava com sua presença, e com o assédio de tanta gente que queria apenas vê-lo, vai recolher-se na região de Nápoles, onde em 529, aos 49 anos, funda a grande Abadia de Montecassino e a Ordem dos Beneditinos, que hoje é uma das maiores do mundo.
    Em 540 escreve a 'Regra dos Mosteiros', hoje chamada Regra de São Bento, que serviu ao longo dos séculos, e ainda serve, como fonte de inspiração para as constituições de muitas ordens religiosas.


    Após o surgimento dos beneditinos, por seis séculos a vida da Europa teve como referência o que era ensinado nos mosteiros que seguiam sua Regra. Foi por seu apreço pelos livros espirituais e pelo conhecimento que os mosteiros da Ordem se tornaram a salvação de boa parte dos manuscritos guardados nos países europeus, sobre os mais diversos assuntos, nas épocas de guerras e destruição. Por esse feito, foi intitulado Santo Padroeiro da Europa. E é venerado como Santo também pelos ortodoxos.


    Sua história foi registrada poucas décadas depois de sua morte, e por ninguém menos que São Gregório Magno, ao tornar-se Papa. Sua intenção era falar sobre aquele que havia transformado o modo de viver na Europa. Entre tantos outros milagres que realizava, ele conta que São Bento tinha o dom de discernimento de espírito: conhecia as pessoas e seus pensamentos. Talvez isso justifique porque preferia ou a companhia de bons monges ou simplesmente o isolamento.


    Ia visitar sua irmã apenas uma vez por ano, e só para conversar sobre assuntos espirituais. Santa Escolástica também levava uma vida de recolhimento, e conta-se que teria demonstrado inclinações religiosas antes dele, tendo sido sua primeira mentora.
    Poucos dias antes de sua morte, nosso Santo esteve com ela numa dessas visitas, quando insistiu que ele ficasse mais um pouco para continuarem conversando. Diante de sua recusa por pressa em tornar a recolher-se, ela pediu e Deus mandou uma tempestade tão forte e longa que o impedia de voltar ao mosteiro. Assim conversaram por toda a noite, e pela última vez. Três dias depois, ela veio a falecer. E quarenta dias após sua morte, morreu também São Bento.
    Ambos foram sepultados sob o altar da Basílica de Montecassino, que é dedicada a Nossa Senhora da Assunção e a ele.


    São Bento, rogai por nós!