quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Vontade de Deus


    Num mundo tão confuso quanto a valores, quando se busca mais profunda conversão é comum que se pergunte: qual será a vontade de Deus? Ou: que se pode fazer para agradá-Lo como Pai e melhorar o relacionamento com Ele? Afinal, é o que se reza no Pai Nosso: "... seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu." Mt 6,10
    Por si, essas perguntas já demonstram algo de amor, gratidão e intenção de ser mais correto aos Seus Olhos. É a sensatez que recomendou São Paulo aos efésios: "Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus." Ef 5,17
    Pois é a Graça dessa consciência, que é suscitada pelo Espirito Santo, que conduz à santidade. Argumentando sobre a imperiosidade de Sua Paixão, Jesus garantiu aos Apóstolos: "Entretanto, digo-vos a Verdade: convém a vós que Eu vá! Porque, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-lo enviarei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo." Jo 16,7-8
    Isso é o que vem acontecendo desde o Pentecostes, e foi emblematicamente percebido nos dias da conversão de São Paulo, quando Ananias lhe disse: "O Deus de nossos pais predestinou-te para que conhecesses a Sua vontade..." At 22,14
    Por isso o Apóstolo dos Gentios exortava os romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,2
    E advertia aos coríntios: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes." 1 Cor 15,33
    Segundo sua inspiração, fora a vontade de Deus resta apenas outro caminho: "Pois a Criação foi sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por vontade daquele que a sujeitou..." Rm 8,20
    Ele confirma nestes termos os salvíficos planos do Pai aos tessalonicenses: "... porque desde o princípio Deus vos escolheu para dar a Salvação, pela santificação do Espírito e pela na Verdade. E pelo anúncio do nosso Evangelho chamou-vos para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 1 Ts 2,13-14
    O Santo de Tarso e a Igreja, portanto, rezam para que tenhamos a Verdadeira Luz, como escreve aos colossenses: "... não cessamos de orar por vós e pedir a Deus para que vos conceda pleno conhecimento da Sua vontade..." Cl 1,9
    E num mundo perdido entre tantos caminhos que supostamente levariam a Deus, Jesus propõe um simples teste, pelo qual se pode confirmar a veracidade de Seus ensinamentos: "Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a Minha Doutrina é de Deus ou se falo de Mim mesmo." Jo 7,17
    Mas Ele assim o fazia apenas por respeito ao Livre Arbítrio, pois quanto à importância do Evangelho não deve haver nenhuma dúvida. Ele foi bem claro: "... ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6

A SALVAÇÃO DE TODOS

    Em poucas palavras, São Paulo diz que a vontade de Deus é que conheçamos a Verdade, e que por ela alcancemos a Salvação: "... Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,34
    E em nome da evangelização através do exemplo de vida, Jesus faz recordar nossa inalienável obrigação de cuidar dos mais fracos: "Assim é a vontade de Vosso Pai celeste, que não se perca um só destes pequeninos." Mt 18,14
    Porque se fomos tocados pela Palavra de Deus, antes que um privilégio, para com nossos irmãos temos uma obrigação, como disse São Tiago Menor: "Por Sua vontade é que nos gerou pela Palavra da Verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das Suas criaturas." Tg 1,18
    Sem dúvida, Jesus afirma na parábola do fiel administrador: "Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir." Lc 12,48b
    Por isso, para evitar os males da soberba, São Paulo recomenda total humildade perante os irmãos: "Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo." Ef 5,21
    Faz-se necessário, portanto, reconhecer algumas coisas simples, mas essenciais. É o que dizem os seguidores de sua tradição: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a Ele é necessário que se creia primeiro que Ele existe e que recompensa os que O procuram." Hb 11,6
    Pois Cristo estabeleceu essa meta para todo ser humano, como explicou após multiplicar os pães e os peixes: "Perguntaram-Lhe: 'Que faremos para praticar as obras de Deus?' Respondeu-lhes Jesus: 'A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou.'" Jo 6,28-29
    Com efeito, conforme a visão de São João Evangelista, mesmos os Santos que já estão no Céu, diante do trono de Deus, dão seguidamente este testemunho. Eles rezam: "... porque criaste todas as coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas." Ap 4,11
    E ainda que muita coisa aconteça contrariando a vontade de Deus, Jesus declara com todas as letras que Ele tem o supremo controle de tudo: "Não se vendem dois passarinhos por alguns centavos? No entanto, nenhum cai por terra sem o consentimento de Vosso Pai." Mt 10,29
    Logo também a Igreja, que por Jesus foi entregue à condução de homens, segundo São João Evangelista encontra-se disposta à Sua volta, e Seus anjos em Suas mãos, demonstrando ter sobre tudo total controle: "Voltei-me para saber que voz falava comigo. Tendo-me voltado, vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém semelhante ao Filho do Homem, vestindo longa túnica até os pés, cingido o peito por um cinto de ouro. Segurava na mão direita sete estrelas. De Sua boca saía uma espada afiada, de dois gumes. O Seu rosto assemelhava-se ao sol, quando brilha com toda a força. Ao vê-lo, caí como morto aos seus pés. Ele, porém, pôs sobre mim Sua mão direita e disse: 'Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive. Eis o simbolismo das sete estrelas que viste na Minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros, as sete igrejas.'" Ap 1,10-13.16-17.20
    São Paulo diz que a Salvação é um plano de adoção, conduzido amorosamente por Deus Pai através da irmandade proposta por Jesus: "No Seu amor predestinou-nos para sermos adotados como filhos Seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua livre vontade..." Ef 1,5
    E garante: "Deus salvou-nos e chamou para a santidade, não em atenção às nossas obras, mas em virtude do Seu desígnio, da Graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus..." 2 Tm 1,9
    Ele enfatiza que é através do Sacrifício de Jesus, ao qual devemos juntar o nosso, que alcançamos a plena liberdade: "... Senhor Jesus Cristo, que Se entregou por nossos pecados, para nos libertar da perversidade do mundo presente, segundo a vontade de Deus, Nosso Pai..." Gl 1,4
    De fato, o Cristo, Deus feito homem, apontou com toda propriedade o caminho da libertação: "... conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará." Jo 8,32
    Ora, a Verdade é Ele mesmo, Sua vida, Seus ensinamentos: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida." Jo 14,6
    E só Ele mesmo, por nossa permissão, pode libertar-nos: "Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,36
    Por isso São Paulo declarou-O Redentor da humanidade, Aquele que, tirando o pecado do mundo, possibilita nossa reconciliação com o Pai: "Deus manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos - desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na terra." Ef 1,9-10
    Oportunamente, porém, os seguidores do Apóstolo de Tarso afirmam que o caminho para o Pai ensinado por Jesus é de pura obediência: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,8
   São Paulo havia dito aos filipenses: "Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-Se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-Se ainda mais, tornando-Se obediente até a morte, e morte de Cruz." Fl 2,6-8
    Nossa Redenção, portanto, carece fundamentalmente de Seu Sacrifício, pois, além de redimidos por Seu Sangue, ele é modelo para o nosso: "Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do Corpo de Jesus Cristo." Hb 10,10


JESUS ENSINOU

    Mas o que disse o próprio Jesus sobre a vontade do Pai? Por vezes, Ele foi taxativo mesmo com alguns que se julgam Seus seguidores: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus." Mt 7,21
    Ele afirmava que só pelo testemunho de vida se pode ser parte da verdadeira família de Deus: "Todo aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe." Mt 12,50
    E também sob esse aspecto Nossa Mãe Celestial foi exemplar, como registrou São Lucas, desde o testemunho dos pastores que foram avisados por anjos na noite do Nascimento de Jesus: "Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração." Lc 2,19
    Bem como na Páscoa em que Jesus, aos 12 anos, ficou no Templo de Jerusalém: "Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração." Lc 2,51b
    Quanto ao pleno cumprimento da vontade de Deus, Jesus aproveitou para evidenciar a existência do Purgatório, ou seja, dos castigos intermediários que levam à purificação, e assim à Salvação, que são bem diferentes da punição total, que é o inferno, e da absolvição total, que é o Céu: "Aquele servo que conheceu a vontade de Seu Senhor, mas não se preparou e não agiu conforme Sua vontade, será açoitado muitas vezes. Todavia, aquele que não a conheceu e tiver feito coisas dignas de chicotadas, será açoitado poucas vezes." Lc 12,47-48a
    Quanto à total dedicação à obra da Salvação, sem hesitar São Paulo prescreve a adoção do celibato: "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido." 1 Cor 7,32-34
    Pois o próprio Jesus havia dito: "Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda." Mt 19,12
    E explicando a importância da vida religiosa, que tem seu ápice na Santa Missa, o cego de nascença, curado por Jesus, por inspiração disse que Deus não atende a qualquer um: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz a Sua vontade." Jo 9,31
    São Paulo deixou bem claro onde devemos reverenciar ao Pai em nossos cultos: "... a Ele seja dada Glória na Igreja, e em Cristo Jesus, por todas as gerações de eternidade. Amém." Ef 3,21
    Podemos, ademais, ter uma perfeita ideia de Quem é Jesus pelo que Ele fazia: "Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e cumprir a Sua obra." Jo 4,34
    Ele era sincero sobre o poder que n'Ele se manifestava, pois, falando sobre Seu lado meramente humano, admitiu: "De Mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o Meu julgamento é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou." Jo 5,30
    E mais de uma vez afirmou o caráter restritivo, embora também esplendoroso de Sua Missão: "Pois desci do Céu não para fazer a Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou. Ora, Sua vontade é esta: que Eu não deixe perecer nenhum daqueles que Me deu, mas que os ressuscite no Último Dia. Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna; e Eu o ressuscitarei no Último Dia." Jo 6,38-40
    Porque, mesmo enquanto ser humano, Ele verdadeiramente agradava ao Pai: "Aquele que Me enviou está Comigo; Ele não Me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do Seu agrado." Jo 8,29
    Deus mesmo o afirmou, quando Jesus transfigurou-Se diante de São Pedro, São João e São Tiago Maior: "E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: 'Eis o Meu Filho muito amado, em Quem pus toda Minha afeição; ouvi-o.'" Mt 17,5
    E Jesus demonstrou fidelidade aos planos do Pai até a difícil hora de abraçar Sua Cruz, quando agonizou no jardim das Oliveiras: "Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, a Minha vontade, mas sim a Tua." Lc 22,42
    Ora, o Cristo já predizia Sua absoluta submissão ao Pai no livro dos Salmos: "... Eis que Eu venho. No rolo do livro está escrito de Mim. Fazer vossa vontade, Meu Deus, é o que Me agrada, porque Vossa Lei está no íntimo de Meu Coração." Sl 39,8-9
    Submissão essa, aliás, da qual Nossa Senhora também é perfeito exemplo: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra.'" Lc 1,38a


'SEDE SANTOS'

    Falando a toda Igreja, São Paulo evidencia qual deve ser nosso verdadeiro esforço para agradar a Deus: "Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o vosso corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus. Nesta matéria, que ninguém oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz justiça de todas estas coisas, como já antes vo-lo temos dito e asseverado." 1 Ts 4,3-6
    Afirmativamente, este Apóstolo já havia percebido algo ainda mais profundo: "Entretanto, quem se une ao Senhor torna-se com Ele um só Espírito." 1 Cor 6,17
    Por isso atesta a absoluta autonomia de Deus agindo em nós para fazer Sua própria vontade: "Porque é Deus Quem, segundo o Seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar." Fl 2,13
    Ele percebia tal realidade em si mesmo: "Mas, pela Graça de Deus, sou o que sou, e a Graça que Ele me deu não tem sido inútil. Ao contrário, tenho trabalhado mais do que todos eles; não eu, mas a Graça de Deus que está comigo." 1 Cor 15,10
    Pois Jesus mesmo havia dito: "Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5b
    Isso já havia sido notado pelo salmista: "O Senhor completará o que em meu auxílio começou... Não abandoneis a obra de Vossas mãos." Sl 137,8
    Por isso pedia por conhecimento, mas também pela condução do Divino Paráclito: "Ensinai-me a fazer Vossa vontade, pois sois o Meu Deus. Que Vosso Espírito de bondade me conduza pelo reto caminho." Sl 142,10
    Os seguidores de São Paulo entenderam-no muito bem: "E o Deus da Paz que, no Sangue da Eterna Aliança, ressuscitou dos mortos o Grande Pastor das ovelhas, Nosso Senhor Jesus, queira dispor-vos ao bem e conceder-vos que cumprais a Sua vontade, realizando Ele próprio em vós o que é agradável aos Seus olhos, por Jesus Cristo, a Quem seja dada a Glória por toda a eternidade. Amém." Hb 13,20-21
    E afastando qualquer sombra de superficial devoção, eles lembram a importância do ânimo estável e paciente: "... pois vos é necessária a perseverança para fazerdes a vontade de Deus e alcançardes os bens prometidos." Hb 10,36
    São Pedro também exorta ao tenaz empenho, abraçando as penitências que nos purificam e aceitando resignadamente as provações: "Assim, pois, como Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus." 1 Pd 4,1-2
    E lembra que Deus é ternamente paciente, pois espera a conversão de todos, via Sacramento da Confissão: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9
    Lembra também qual é nossa missão para com o mundo errante: "Porque esta é a vontade de Deus que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos." 1 Pd 2,15
    Com peculiar acuidade, a tradição de São Paulo põe numa mesma sentença o anúncio de Jesus e dos Apóstolos, os sinais de Deus e os dons derramados pelo Divino Paráclito: "Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da Salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram, comprovando-a o próprio Deus por sinais, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a Sua vontade?" Hb 2,3-4
    Mas contemplando todo sacrifício dos cristãos, o próprio São Paulo contemporiza, aceitando conscientemente as agruras da vida como parte inseparável dos planos de Deus. Contudo, valendo-se da unção do Santo Espírito, sem perder a esperança: "Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que nos deu por penhor o Seu Espírito. Por isso, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão." 2 Cor 5,4-7
    Sempre tão inspirado, São João Evangelista fala com simplicidade da radical diferença entre a vida impenitente e a voluntariosa obediência: "O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." 1 Jo 2,17
    E tratando da mais completa submissão a Deus, ele explica em que medida podemos viver e participar da construção do Reino anunciado por Cristo: "A confiança que depositamos n'Ele é esta: em tudo quanto Lhe pedirmos, se for conforme à Sua vontade, Ele nos atenderá." 1 Jo 5,14
    Por fim, em um dos momentos que Se revela Deus, Jesus fez a mais tocante síntese da Sua Vontade, que de tão grandiosa é uma lição a ser assimilada por toda a vida: "Dou-vos um novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34
    Para alcançar o verdadeiro amor salvífico, porém, é absolutamente necessário que busquemos a purificação de nossos pecados, pois por isso se deu o Sacrifício Pascal. São palavras do Salvador: "Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: 'Tomai e comei, isto é Meu Corpo.' Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,26-29
    A regular participação na Santa Missa, portanto, onde se revive e se atualiza a imolação do Cordeiro de Deus, é o meio pelo qual se adquire tal condição espiritual, a estatura de Cristo como disse São Paulo, que é a razão de ser da Sua Igreja, Seu Corpo Místico: "A uns Ele constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,11-13
    Jesus de fato pediu: "Fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19b

    "Com Jesus oferecemos, ó Pai, a nossa vida!"