terça-feira, 11 de abril de 2017

O Terço


    Chamamos de Terço cada uma das três partes da divisão do Rosário.
    Reza-se sempre o Pai Nosso, como principal oração cristã, ao iniciar-se o Rosário ou o Terço, e mais um no começo de cada Mistério que se contempla.
    O Rosário tem 15 Mistérios, e assim 150 Ave Marias, fora as 3 do início, em homenagem à Santíssima Trindade. O Terço do Rosário são, portanto, apenas 5 Mistérios, ou seja, 50 Ave Marias, mais as 3 do início.
    O Rosário é composto de 5 Mistérios Gozosos, que são cenas da feliz História de Jesus e Maria, 5 Mistérios Dolorosos, cenas do Martírio de Cristo, e 5 Mistérios Gloriosos, cenas dos esplendorosos finais das vidas terrenas de Nosso Senhor e Nossa Senhora, bem como a Graciosa Vinda do Espírito Santo.
    Há poucos anos, o Papa São João Paulo II instituiu mais 5 Mistérios, os Luminosos, que são cenas da Revelação de Jesus, Nosso Salvador.
    O Rosário foi revelado por Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão, em 1208, na cidade de Prouille, no sul da França, quase fronteira com a Espanha. Era a perfeita solução para a nova ordem de frades por ele criada, os dominicanos, que se prestavam a anunciar o Evangelho vivendo como mendicantes, na mais absoluta pobreza.


    Ao invés de rezar os 150 salmos todos os dias, como se fazia nos mosteiros os Beneditinos e Agostinianos, os dominicanos passaram a rezar 150 Ave Marias onde quer que estivessem e assim ensinavam também ao povo, cuja maioria à época era de iletrados. O Rosário era portanto os 'salmos' de Nossa Senhora, a 'Bíblia dos pobres'.
    Um fato interessante a respeito dessa revelação é que a Ave Maria ainda não estava 'completa'. Aliás, até esses tempos só se recitava a saudação do Arcanjo São Gabriel: "Ave Maria, cheia de graça! O Senhor é Convosco." Lc 1,28
    Com o advento do Rosário, assim chamado porque eram como 150 rosas oferecidas à Nossa Senhora, São Domingos incluiu a saudação de Santa Isabel: "Bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso ventre." Lc 1,42
    A palavra 'Jesus' só foi acrescentada alguns anos mais tarde, em 1262, pelo Papa Urbano IV, completando assim a primeira parte.
    No início da segunda parte da Ave Maria, quando fazemos as súplicas, usamos mais algumas palavras de Santa Isabel, quando falou: "Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de Meu Senhor?" Lc 1,43
    Chamamos Maria, então, de Mãe de Deus, título que lhe foi referendado em 431, pelo Concílio Ecumênico de Éfeso. E é de São Pedro Canísio, que viveu no século XVI, a frase: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores."
    Já a sentença final, "Agora e na hora da nossa morte", foi tirada de uma antífona medieval no século XV. O Papa São Pio V, que também viveu no século XVI e era dominicano, publicou então a Ave Maria, agora completa, no Breviário Romano e a partir daí ela tornou-se oração oficial da Igreja.
    Frente à iminente ameaça dos turcos invadirem a Europa, destruindo Roma e assim a estrutura central do Cristianismo, esse Santo Papa pediu às nações católicas que rezassem o Rosário em súplica à Nossa Senhora, pois só um milagre poderia dar-lhes a vitória na decisiva Batalha naval de Lepanto, no Mar Jônico, costa da Grécia.
    E foi exatamente isso o que aconteceu. Em agradecimento à Virgem Mãe, São Pio V instituiu a festa à Nossa Senhora das Vitórias, que ficou mais conhecida com o nome de Nossa Senhora do Rosário, celebrada no dia de 7 de Outubro.


    Mas a história da sagrada instituição do Rosário não termina aí. Evidenciando a presença de Deus junto a si e à Igreja, e assim a veracidade de Suas Aparições, Nossa Senhora sempre recomendou a prática da oração do Rosário através dos séculos.
    Na Aparição de Salette, ela apresentou-se com rosas na borda do lenço envolto ao pescoço, para lembrar-nos do Rosário, além de pedir que rezássemos sempre que pudéssemos a Ave Maria. Na Aparição de Lourdes, Nossa Senhora rezou o Rosário com Santa Bernardete. Na Aparição de Fátima, oferecendo a solução para o fim da Primeira Guerra Mundial, Nossa Senhora recomendou 'rezar o Terço todos os dias para alcançar a Paz'.
    Mais um detalhe: o Papa São João Paulo II não só instituiu os 5 novos Mistérios. Ele mesmo era um grande entusiasta e promotor dessa prática, o que explica a inspiração que teve. Dizia: "O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade."


    Por fim, e rebatendo uma objeção absolutamente infundada sobre as repetições de orações, recorda-se propriamente o que disse Jesus a esse respeito. Ele não critica as repetições em si, mas tão somente aqueles que acreditam que terão suas preces atendidas pela quantidade de mecânicas repetições: "Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras." Mt 6,7
    Por isso explica: "Não os imiteis, porque Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais." Mt 6,8
    Do contrário, Ele mesmo não teria ensinado o Pai Nosso, que inquestionavelmente é uma oração a ser repetida durante toda a vida do cristão: "Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no Céu, santificado seja o Vosso Nome..." Mt 6,9
    Mais: em Sua agonia no Getsêmani, o próprio Jesus repetia a mesma oração: "'Aba! (Pai!)', suplicava Ele, 'tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres.' Em seguida, foi ter com Seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: 'Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.' Afastou-Se outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras." Mc 14,36-39
    É patente, portanto, que Deus não condena quem repete orações pela simples vontade de estar por mais tempo em Comunhão com Ele, ou a Ele persistentemente socorre em momentos de dificuldade. Ao contrário, verá fervor e devoção nessa prática. Jesus mesmo ensinou a completa interiorização da piedade: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é Espírito, e Seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e Verdade." Jo 4,23-24

    "Fazei de nós um sacrifício de louvor!"